O destino
das flores passa por uma dualidade: enfeitar
momentos felizes e momentos tristes - “umas
enfeitam a vida, outras enfeitam a morte”,
conforme o verso popular.
Papel
semelhante exerce a poesia, na existência
humana: cantar a alegria e a tristeza,
extravasar os diferentes
sentimentos.
Entretanto, pelo menos uma vez, um poema
prestar-se-ia a uma nova e gratificante função:
ajudar a salvar a humanidade da derrocada fatal,
da barbárie, do retrocesso moral.
Em
1944, desde muitas décadas, já era bastante
conhecido, na França, este
verso:
“Ferem meu coração com langor
monótono.”
Quando o
atormentado poeta francês Paul Verlaine exprimiu
seu estado d’alma nesse melancólico verso,
jamais poderia supor que estava montando a chave
de partida para uma das mais audaciosas epopéias
da História, um episódio de extrema importância,
que ajudaria a selar o destino da Segunda Guerra
Mundial. Essas foram as palavras escolhidas como
código para prenúncio da iminente invasão da
Normandia pelos Aliados, em 6 de junho de 1944 -
operação que passaria à História como “O Dia D”
ou “o mais longo dos
dias”.
Ao ouvir a tão
aguardada senha, através da Rádio BBC de
Londres, milhares de militantes dos exércitos de
Resistência, na Europa, especialmente na França,
imediatamente puseram em ação os planos de apoio
às tropas aliadas.
Os citados
versos pertencem a um poema de Verlaine que se
inicia
com:
"Longos soluços dos violinos de
outono
Ferem meu
coração com langor monótono.”
Outono... foi num dia bem próximo do outono, em
setembro de 1939, que uma densa e trágica nuvem
principiou a cobrir a humanidade: paulatinamente
os tentáculos da hidra nazista iam alcançando,
ferindo e aniquilando os mais íntimos recônditos
das almas humanas.
Tinha início a Segunda Guerra
Mundial.
Aquele seria um primeiro outono de angústia, de
trágicos momentos e também de momentos de
redenção. Tristezas e
alegrias, momentos reais.
Soluços dos violinos de
outono...
Muitos outros outonos se passariam... muitos
soluços seriam ouvidos até que, num outro - e
promissor - outono, no outono de 1945, com o
final da Guerra, os céus da esperança novamente
se clareassem.
Desta
vez, queira Deus, para sempre.
Mas mum imenso lamaçal pode brilhar, incólume,
um raio de luar. E mesmo em meio à tragédia, ao
extremo sofrimento, exemplos heróicos – notórios
ou anônimos –, ratificam a fé na possibilidade
de crescimento moral da humanidade, no triunfo
da civilidade, na essência
humana.
Fazem crer que, de fato, a esperança não é
"a última que morre": a esperança é a primeira
que nasce quando tudo parece
perdido...
Em honra aos 60 anos do
final da Segunda Guerra Mundial, a 08/maio/2005
- o Dia da Vitória -, estamos homenageando
estes exemplos de coragem:
Irmãos
Bielski - o maior
salvamento de judeus por outros judeus em todo o
conflito
Luiz
Martins - o Embaixador
Brasileiro que salvou muitas vidas





