Klaus Barbie, o carniceiro de Lyon

 Oriza Martins

            Lyon, importante cidade da região central da França, fundada pelos romanos há cerca de 2000 anos, famoso centro cultural e industrial, com palácios renascentistas e uma tradição gastronômica sem par, é também conhecida como a cidade das sedas.

          As atividades nazistas na região eram particularmente aterrorizantes. O comandante da Gestapo alemã na cidade, o famigerado Klaus Barbie, um jovem e “eficaz” Coronel das SS, mantinha o povo sob o domínio do medo, perseguindo com mão de ferro os oponentes do nazismo, principalmente famílias judias e membros da Resistência. 
                Klaus Barbie, em sua crueldade, na temida prisão de Fort Montluc, fazia questão de conduzir pessoalmente os interrogatórios. Durante as habituais sessões de tortura em seu gabinete, sua secretária e amante, uma rata cinzenta - como eram popularmente denominadas as funcionárias nazistas -,  mantinha-se friamente dedilhando a máquina de escrever, insensível às atrocidades cometidas em sua presença. Eventualmente, Barbie desviava-se da atividade sádica, mantendo colóquios obscenos com a mulher, em presença da pessoa “interrogada”.  Cenas como essas podem ser encontradas no livro e no filme sobre a heroína da Resistência Francesa, Lucie Aubrac.
                O ato de torturar, ao que parece, parecia excitava o carrasco de Lyon.
                 Foi responsável pela tortura e morte de inúmeras pessoas e dirigentes da Resistência Francesa, dentre os quais, Jean Moulin, o representante oficial do General De Gaulle.
                 Após a guerra, Barbie foi preso pelos norte-americanos, mas usufruiu de privilégios, trabalhando como informante no período da guerra-fria para os Estados Unidos, em uma rede de agentes secretos.
                 Um tribunal francês condenou-o à revelia, em 1952, por haver ordenado a invasão de um lar de crianças judias, que foram encaminhadas para a morte nas câmaras de gás de Auschwitz.
                 Seus chefes americanos continuaram protegendo-o, quando Barbie fugiu para a América do Sul, no Peru e depois na Bolívia, onde levou uma vida confortável, até ser localizado pela caçadora de nazistas Béate Klarsfeld, uma jovem alemã, casada com o judeu Serge Klarsfeld, a qual iniciou uma cruzada visando levá-lo a julgamento. Conduzido à França em 1983, Barbie foi encarcerado na mesma prisão de Montluc, em Lyon, onde imperou seu regime de terror.
               Condenado à prisão perpétua por crimes contra a humanidade, Klaus Barbie morreu de câncer, em 1991. 

 

 

 

 

 


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