Dona Iolanda não viu
o ipê-rosa neste
ano.
Ele, indiferente,
mas de uma
indiferença
diferente ao do
homem,
Abriu-se todo num
espetáculo indizível
Próprio para ser
admirado:
“É preciso
continuar...”
Alto,
Imponente,
Sobressaindo das
árvores menores e
sem cores,
Despertando imagens
japonesas
- talvez de gigantes
cerejeiras –
Uma pincelada
caprichada de um
pintor desconhecido
Que quis brincar com
a monocromática
avenida,
Com a formalidade do
asfalto, com a
sarjeta escura...
Mas Dona Iolanda não
viu o ipê-rosa neste
ano,
A calçada enfeitada
tantas vezes de
flores para pés
apressados,
Trabalho para os
insensibilizados,
Lago rosa para olhos
de passado;
Dona Iolanda não
recolherá as flores
caídas
Para ter outras no
dia seguinte.
O ipê-rosa floresceu
Lindo de doer alguma
coisa no fundo do
fundo do fundo...
De despertar
saudade!
Mas Dona Iolanda não
viu as flores
Do ipê-rosa neste
ano.