Sarau Lítero-cultural de Rio das Pedras-SP Edição 2 - junho/2009

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Machado de Assis

Homenageado: MACHADO DE ASSIS

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839 no Morro do Livramento, cidade do Rio de Janeiro, falecendo aos 69 anos no dia 29 de setembro de 1908. “O escritor quase nunca se ausentou da cidade e a geografia dela o emoldurou, bem como emoldurou suas personagens, suas narrativas, sua ficção, pois o Rio de Janeiro serviu de fio para a trama ficcional de Machado de Assis”, diz o psicanalista José Marcos R. Oliveira, Doutor em Literatura Comparada. Nascido mulato e pobre numa época escravocrata e permeada de preconceitos, filho de um mulato pintor com uma lavadeira portuguesa, Machado de Assis poderia considerar-se fadado ao fracasso. Aos dez anos (1849) perde a mãe e a única irmã. Ainda criança, apresenta gagueira, influenciando no seu comportamento introspectivo; mais tarde, outro problema surge: a epilepsia. De 1856 a 1858 trabalhou como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, e mais tarde (1867 a 1874) volta à Imprensa Nacional desta vez como ajudante do Diretor do “Diário Oficial”; a partir de 1874 trabalha como funcionário do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas (tendo sido nomeado primeiro-oficial em 1873).

 

Seu primeiro livro de versos, Crisálidas, sai em 1864. Muito de sua obra surge a partir de publicações em jornais, como eram comuns à época os folhetins, o que acabaria caracterizando seus livros com capítulos curtos. Considerado um escritor polígrafo, incluindo traduções, dentre elas, “Os trabalhadores do Mar” de Victor Hugo (1866), Machado de Assis escreveu contos, romances, teatro, poesia além de crítica literária. Característica bastante interessante de seus escritos (contos, romances) é o reiterado convite que faz ao leitor, trazendo-o mais próximo da trama, nas muitas vezes em que se dirige a ele nos textos, criando assim um vínculo entre escritor-leitor. Seu primeiro romance, Ressurreição, sai publicado em 1872. Em 1888 é condecorado pela Princesa Isabel com a Ordem da Rosa. Funda, juntamente com outros, a Academia Brasileira de Letras (1896). Em 1904 fica viúvo de sua esposa e companheira, Carolina Augusta Xavier de Novais Machado de Assis, dedicando a ela, dois anos depois, o seu mais famoso soneto, “À Carolina”. Afasta-se do trabalho por motivos de saúde em junho de 1908, vindo falecer três meses depois, mesmo ano da publicação de seu nono e último romance, Memorial de Aires. Não teve filhos, tal qual Brás Cubas, não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

Bibliografia: Da vasta produção machadiana, citamos Contos Fluminenses (1870), Relíquias de Casa Velha (1906), Papéis Avulsos (1882), Histórias sem data (1884), Páginas Recolhidas (1899); os romances: Ressurreição (1872), A Mão e a Luva (1874), Helena (1876), Dom Casmurro (1899),  Memorial de Aires (1908), Memórias Póstumas de Brás Cubas (1880); as obras poéticas: O Almada (em 1910, em Outras Relíquias), Falenas (1870), Crisálidas (1864), Ocidentais (em 1901, em Poesias Completas), Americanas (1875); teatro: Quase Ministro (1864), Os deuses de casaca (1866), Tu, só tu, puro amor (1880).

Antologia de Machado de Assis

 

 

 

ERRO

Erro é teu. Amei-te um dia

Com esse amor passageiro

Que nasce na fantasia

E não chega ao coração;

Não foi amor, foi apenas

Uma ligeira impressão;

Um querer indiferente,

Em tua presença, vivo,

Morto, se estavas ausente,

E se ora me vês esquivo,

Se, como outrora, não vês

Meus incensos de poeta

Ir eu queimar a teus pés,

É que, — como obra de um dia,

Passou-me essa fantasia.

Para eu amar-te devias

Outra ser e não como eras.

Tuas frívolas quimeras,

Teu vão amor de ti mesma,

Essa pêndula gelada

Que chamavas coração,

Eram bem fracos liames

Para que a alma enamorada

Me conseguissem prender;

Foram baldados tentames,

Saiu contra ti o azar,

E embora pouca, perdeste

A glória de me arrastar

Ao teu carro... Vãs quimeras!

Para eu amar-te devias

Outra ser e não como eras...

 

A CAROLINA

Querida, ao pé do leito derradeiro

Em que descansas dessa longa vida,

Aqui venho e virei, pobre querida,

Trazer-te o coração do companheiro.

 

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro

Que, a despeito de toda a humana lida,

Fez a nossa existência apetecida

E num recanto pôs um mundo inteiro.

 

Trago-te flores, — restos arrancados

Da terra que nos viu passar unidos

E ora mortos nos deixa e separados.

 

Que eu, se tenho nos olhos malferidos

Pensamentos de vida formulados,

São pensamentos idos e vividos.

 

CAPÍTULO LV DE “MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS”: O VELHO DIÁLOGO DE ADÃO E EVA

BRÁS CUBAS................................?

VIRGÍLIA...............................

BRÁS CUBAS.......................................................................................

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VIRGÍLIA..........................................!

BRÁS CUBAS.................................

VIRGÍLIA....................................................................................

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BRÁS CUBAS.................................

VIRGÍLIA...............................................

BRÁS CUBAS.......................................................................................

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VIRGÍLIA....................................................?

BRÁS CUBAS..............................................!

VIRGÍLIA...................................................!

 

Confira aqui a Programação completa do Sarau Riopedrense, edição de junho/2009

 

Confira aqui a programação da primeira edição do Sarau de Rio das Pedras, em abril/2009.

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