Mas os
caminhos que
levam a
Santiago são
infinitos,
podem partir
dos mais
distantes
rincões da
Europa,
quiçá do
mundo, e os
meios para
se chegar lá
podem também
variar
segundo as
contingências
do
indivíduo: a
cavalo, de
bicicleta,
de carro...
Existe uma
quase
unanimidade
em se
afirmar que
outros meios
– que não a
caminhada –
não têm o
mesmo
significado.
Faz sentido:
a
experiência
de cruzar
veredas,
subir
morros,
andar na
lama, chuva,
sol, neve,
pernoitar
nos
albergues,
interagir
com outros
peregrinos,
de diversos
países, com
toda a aura
mística que
o Caminho
inspira, é
inigualável.
Existem até
os que não
vêem com
bons olhos
os que se
utilizam de
meios
alternativos
ou que não
fazem o
caminho todo
de uma vez.
Mas essa é
uma visão
equivocada.
Se o Caminho
de Santiago
serve para
nos lavar a
alma,
despi-la de
preconceitos
e afastar o
que resta em
nós do
homem velho
- como diria
Chico Xavier
-, não faz
sentido
colocarmos
em
julgamento
as razões e
meios pelos
quais alguém
está fazendo
o “seu
próprio”
Caminho. É
mister
lembrarmo-nos
de que cada
qual,
naquele
momento, tem
seus
motivos,
sujeita-se a
suas
limitações:
idade, tempo
disponível,
estado de
saúde,
situação
financeira,
etc., e é
muito pouco
provável que
alguém
esteja ali
por motivo
fútil.
Seja qual
for sua
razão – fé,
pagar
promessa,
turismo
alternativo
e até
simples
curiosidade
-, esteja
certo de que
estará
entrando em
uma nova
fase da
existência,
a partir da
qual vai
passar a
encarar a
vida com um
novo olhar.
A começar
pela própria
necessidade
de vencer
obstáculos.
Certa vez
ouvi de um
peregrino
que, no
início, lá
pelas
serranias de
Roncesvalles,
parecia que
o caminho
significava
apenas
subir, subir
e subir...
ele se
indagava,
diante do
acidentado
terreno do
norte da
Espanha: “meu
Deus, mais
uma subida?
Será que
conseguirei?
Parece que a
gente não
desce nunca,
apenas
sobe...”
Mas a
caminhada
acabou
levando-o a
compreender
o
significado
do potencial
humano em
superar
dificuldades.
E quando
ele, na
etapa final,
lá do alto
do monte,
avistou
Santiago de
Compostela...
sem
comentários...
a sensação é
indescritível...
E agora,
nestes
tempos
globalizados,
temos os
peregrinos
virtuais
que, diante
das
dificuldades
de fazer o
caminho
in loco,
usufruem a
felicidade
de poder
acompanhar a
peregrinação
através da
internet,
com relatos
diversos,
imagens aos
milhares,
vídeos
mágicos em
tempo real,
maravilhosos,
e muito da
magia que o
Caminho de
Santiago
inspira.
Se você é
uma dessas
pessoas que,
no momento,
não tem
condições de
peregrinar
pessoalmente,
reserve uns
minutinhos
de seu dia e
faça um
trecho do
caminho pela
estrada
virtual...
envie
mensagens,
medite, faça
reflexões...
é uma grande
experiência!
Se, no
passado,
todos os
caminhos
levavam a
Roma...
também no
passado,
hoje, agora
e sempre,
todos os
caminhos
levam a
Santiago de
Compostela...
Enfim... o
Caminho de
Santiago é,
acima de
tudo, um
estado de
espírito.
- Onde
começa o
Caminho de
Santiago?
- Começa
onde de você
está! Começa
dentro de
nós
mesmos...
©
Oriza
Martins