|
 |
Cicatrizes
Oriza Martins
 |
Cicatrizes
No corpo, mormente,
expomos
As marcas dos
ferimentos,
Dos danos,
fatais momentos,
Que, às vezes,
vivenciamos.
Os machucados
reais
Ou eventos
inocentes,
Feridas
inconseqüentes,
Sofrendo ou
não, relembramos.
Mas existe um
tipo amargo
De marcas que
vão ao fundo,
São as
tristezas do mundo,
Injustiças que
passamos,
São amores que
perdemos
Ou nódoas da
consciência
Quando nós, por
negligência,
A outrem
prejudicamos.
Nos caminhos da
existência,
Estas mais
duras feridas
Calcadas em
nossas vidas,
Que nos abalam
a calma,
Formam tensas
provações,
Calam mais
forte na gente,
São os algozes
da mente,
São cicatrizes
da alma...
As cicatrizes
do corpo
Mais fáceis de
controlar,
São passíveis
de operar
Ou de tê-las
maquiadas...
Porém dores
metafísicas
Difíceis de
disfarçar,
Teimam em atormentar
As almas
fragilizadas...
Essas mágoas do
espírito,
De um sofrer
inconfundível,
Nem sempre me
foi possível
Extirpar pelas
raízes...
Então sigo meu
caminho,
Longa estrada a
percorrer,
Aprendendo a
conviver
Com as minhas
cicatrizes...
©Oriza
Martins




|