Trecho da entrevista
com o cineasta Roman Polanski,
diretor do filme O
PIANISTA
Fonte: twww.casaamarela.org.br
- Quando se lê O
PIANISTA, tem-se a impressão que Szpilman se culpa por não tentar encontrar
Hosenfeld, o oficial alemão. Você concorda com isso? E neste caso, há algum
momento de hesitação em seu filme, enfatizando a tragédia do oficial
alemão?
R.P.: Há um momento
assim no filme, mas não concordo que Szpilman tenha tido algum tipo de
arrependimento, ou tenha se culpado. Na minha opinião, a questão é a expressão
de sua modéstia. Como sabemos, ele fez tudo que pode para salvar a vida de
Hosenfeld. Ele até recorreu às autoridades comunistas e não teve sucesso, é
claro. Todos sabem que era uma causa perdida. Nós também sabemos que ele foi
procurado pela família de Hosenfeld e que eles tiveram contato. Creio que a
família esteve em Varsóvia duas vezes. A propósito, nós também procuramos o
filho de Hosenfeld em Berlim.
Trecho de artigo
sobre O PIANISTA:
fontewww.gardenal.org/bscene/cinema/pianista.htm
Szpilman assistiu aos
combates da janela do apartamento onde estava escondido, protegido por amigos
poloneses (a pena para poloneses que ajudassem judeus era o enforcamento). Com o
acirramento da guerra, o pianista é obrigado a abandonar os esconderijos e
sobrevive, faminto e doente, no que sobrou de Varsóvia. Numa das mais belas
cenas do filme, Szpilman entra em uma rua deserta, com prédios em escombros dos
dois lados. A câmera se afasta e o homem vai ficando cada vez menor perto das
ruínas. É isso que acontece com o personagem: a sobrevivência em condições cada
vez mais miseráveis o degrada e desumaniza.
Ele se torna humano
novamente ao tocar piano para um oficial alemão. O militar o descobriu em um dos
prédios abandonados que lhe servia de abrigo. Ao ouvi-lo executar uma balada de
Chopin, o alemão não só poupa a vida do judeu como passa a ajudá-lo, levando
comida e cedendo seu casaco. Com o fim da guerra, Hosenfeld, o oficial, tenta
conseguir socorro de Szpilman, que não consegue localizá-lo a tempo. Hosenfeld
termina em um campo para prisioneiros de guerra na então União Soviética. (Seus
diários foram encontrados e acrescentados a edições recentes do livro de
Szpilman).
Wladyslaw Szpilman
escreveu seu relato logo após o fim da guerra, mas o livro foi então censurado
pelo governo comunista da Polônia. Foi lançado em 1999, quando seu filho
encontrou os originais, e republicou a obra, que foi traduzida para o inglês e
imediatamente conquistou Polanski. O pianista morreu, aos 88 anos, em
2000.
Polanski fez um filme
que, assim como o livro, tem um tom sóbrio (provavelmente o mais sóbrio de sua
carreira), sem dramatizar demais o que já é suficientemente dramático. A beleza
da fotografia, das imagens cinzentas e meio desbotadas, quase passa despercebida
diante do peso da história que é contada. Algumas frases de efeito ajudam a
explicar esse clima: "Não corra, ande", diz o guarda que deixa o pianista fugir
do trem que o levaria para o campo de Treblinka. Ou, ao fim da guerra, quando
ele sai do esconderijo vestido no casaco do oficial alemão: "Por que então está
vestindo esse casaco?". "Porque estou com frio". O ator Adrien Brody empresta a
Szpilman um olhar melancólico e perdido, em que as emoções não podem fazer muito
barulho para não serem descobertas.
Se a dignidade e a
generosidade do alemão Hosenfeld podem ser uma redenção, os judeus que
colaboraram com o regime nazista, montando uma polícia para vigiar o gueto com
métodos às vezes piores que os da Gestapo, são o outro lado da moeda. O filme
também denuncia a corrupção entre alguns dos que diziam ajudar os judeus
fugitivos. É a surda força dos vermes, em contraponto aos grandes sonhos dos
homens (para citar Cecília Meireles).
Fonte:www.basilides.blogger.com.br
Continua... parte 2