Trecho de matéria
publicada no Correio Braziliense:
Dois elementos cruciais
reforçam o enredo de tensão permanente, narrado pelo pianista [em seu livro]: fragmentos do
diário do capitão Wilm Hosenfeld (peça-chave na vida de Szpilman) e a Ponte
entre Wladyslaw Szpilman e Wilm Hosenfeld, composta por 33 partes (compêndio de
fatos, elaborado pelo poeta Wolf Biermann). Do diário se extrai a frase que
sintetiza o grau de conscientização do oficial alemão — ‘‘tenho vergonha de sair
à rua. Todo polonês tem o direito de cuspir no meu rosto’’ —, e, da Ponte..., a
observação conclusiva de Biermann: ‘‘Parece daquelas fábulas de Hollywood, mas é
a mais pura verdade: (na trajetória do pianista) é um dos seres mais odiados que
tem o papel do anjo salvador.’’
ICH VERSUCHE JEDEM ZU
RETTEM, DER ZU RETTEM IST
("Eu procuro salvar qualquer um que pode ser
salvo")
www.pletz.com/artigos/livro2204.html
Segunda-feira, Julho 19,
2004
No filme "O pianista",
de Roman Polanski, um dos momentos mais marcantes foi o encontro entre Wladislaw
Szpilman e um oficial alemão, num sotão, na Varsóvia ocupada, onde o pianista se
escondia após ter escapado de um embarque para Treblinka.
Vemos então Szpilman
tocar para o alemão, o "Noturno", de Chopin. A partir daí o oficial alemão passa
a fornecer comida e a visita-lo regularmente até que um dia ele se despede, diz
que os alemães estão se retirando, pois as tropas russas se
aproximam.
Ficaram então as
perguntas: quem era esse homem? Porque fez aquilo? Porque arriscara a vida para
salvar um homem que segundo o regime a que servia, era apenas um
subhumano,destinado ao extermínio?
Agora temos as
respostas: com a publicação, na Alemanha,de um livro, contendo a íntegra do
diário e das cartas do capitão Wilhelm Hosenfeld (Wilm). Veterano da primeira
guerra, onde lutou ainda muito jovem, e como boa parte dos alemães ressentido
com o tratado de Versalhes, entusiasmou-se com o partido nazista. Alistou-se em
1939 e participou da invasão da Polônia.Ao ver uma criança ser executada por ter
roubado um pouco de feno, mudou de posição.
"Envergonho-me de fazer
parte dos culpados por uma tragédia tão grande, sem poder auxiliar as vítimas"
escreveu numa carta à mulher Anneliese, aos dois filhos e às três
filhas.
Hosenfeld aprendeu
polonês, passou a esconder fugitivos e fornecer documentos falsos, salvou tantos
quanto pode. Segundo seu filho Helmut a apreensão das cartas de seu pai seria
suficiente para condena-lo à morte.
Em julho de l942,
escreveu Hosenfeld à Anneliese
- Pode um alemão ainda mostrar-se ao mundo? É para
isso que nossos soldados morrem na frente de batalha? A história não conhece
nada igual. Talvez os arcaicos tenham praticado o canibalismo. Mas nós que
conduzimos a cruzada contra o bolchevismo, como podemos abater homens, mulheres
e crianças em pleno século XX? Seremos normais? A culpa é tão grande que nos faz
afundar no chão de vergonha.Será que o demônio adotou forma de
gente?
Só em 1998, Szpilman
revelou detalhes do encontro com Wilm. Capturado pelos russos, Wilm morreu em
1952, num campo de prisioneiros na Rússia, aos 57 anos. Apesar dos apelos de
familiares e de muitas pessoas que tiveram a vida salva por ele, Stalin não
abrandou a sua pena, condenando-o a 25 anos de trabalhos forçados ( nas
condições em que se cumpriu a pena, equivalia a uma condenação a morte).
Hosenfeld salvou muitos de um tirano sanguinário e pereceu pelas mãos de outro
monstro ( monstro esse com muitas "viúvas"aqui no Brasil)
Fica aí a história de
Wilm Hosenfeld, que fez a sua parte. Que algum editor traga esse livro até
nós.
Fonte:www.basilides.blogger.com.br
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