Sinopse
Não se trata, aqui,
do julgamento de Goering & cia, ou seja, não
é o famoso tribunal que julgou os primeiros
carrascos nazistas, porém mais um dos muitos
julgamentos de nazistas de vários escalões que
houve em Nuremberg durante certo tempo do
pós-guerra.
Após a 2ª Guerra
Mundial um juiz americano é convocado para
chefiar o julgamento de quatro juristas alemães
responsáveis pela legalização dos crimes
cometidos pelos nazistas durante a guerra. Tinham
se passado três anos desde que os mais
importantes líderes nazistas tinham sido julgados
em Nuremberg. Dan Haywwod (Spencer Tracy), um juiz
aposentado americano, tem uma árdua tarefa, pois
preside o julgamento de quatro juízes que usaram
seus cargos para permitir e legalizar as
atrocidades nazistas contra o povo judeu durante a
2ª Guerra Mundial. À medida em que surgem no
tribunal as provas de esterilização e
assassinato a pressão política é enorme, pois a
Guerra Fria está chegando e ninguém quer mais
julgamentos como os da Alemanha. Além disto os
governos aliados querem esquecer o passado, mas a
coisa certa que deve se fazer é a questão que
este tribunal tentará responder.
Na verdade, o juiz
que presidia aquele julgamento (Spencer Tracy)
fora quase catado a laço nos confins dos EUA,
para ir lá, porque ninguém agüentava mais os
julgamentos de nazistas, estava difícil conseguir
magistrados dispostos a julgarem em Nuremberg. O
mundo girava, os tempos mudavam e todos queriam
mesmo era esquecer a guerra. Principalmente os
alemães. Tanto que Marlene Dietrich protagonizou
uma alemã "civilizada" que procurou
infundir no jurista a idéia de que nem todos os
alemães eram bárbaros cruéis e tentou comprar o
juiz com seu charme refinado.
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Comentários e
Curiosidades:
Julgamento
em Nuremberg” (1961) é uma obra ímpar, com um
elenco soberbo, um roteiro tocante e um tema de
profunda seriedade, expondo corajosamente o grande
dilema entre a aplicação da justiça sobre os juízes
nazistas responsáveis pela condenação de milhões
de pessoas inocentes na 2ª Guerra Mundial. O
grande suporte desse filme obrigatório, é sem dúvida,
o seu elenco formidável. Das 11 indicações ao
Oscar que o filme recebeu, 4 foram só na
categoria de atuação. Maximilian Schell (1930),
como o advogado de defesa Hans Rolfe, levou a
estatueta de melhor ator; o veterano Spencer Tracy
foi indicado a melhor ator e dois dos maiores
nomes de Hollywood que nunca ganharam o prêmio
foram preteridos pela dupla de coadjuvantes George
Chakiris - Rita Moreno, de “Amor, Sublime
Amor” (61). Os dois são simplesmente,
Montgomery Clift (1920-1966) e Judy Garland
(1922-1969). Clift está estupendo como o alemão
Rudolf Petersen e atua por cerca de 17 minutos,
mas com uma intensidade poucas vezes vistas. Um
grande erro da Academia. Judy Garland atua menos
de 15 minutos, mas como o papel chave de Irene
Hoffman que é convencida a testemunhar contra o
juiz Ernst Janning (Burt Lancaster), que passa boa
parte do filme calado, mas quando faz alguma
intervenção é sempre marcante. Destaque para a
memorável cena final em que Lancaster contracena
com Tracy, um duelo de titãs. Ainda brilham,
Richard Widmark numa atuação muito inspirada e
uma charmosa Marlene Dietrich, que encanta quando
traduz um trecho da canção “Lili Marlene”.
O filme ainda concorreu a melhor filme, diretor (Kramer),
fotografia (Ernest Laszlo), figurino (Jean Louis),
edição (Frederic Knudtson), direção de arte
(George Milo e Rudolph Sternad) e ganhou na
categoria de roteiro adaptado para Abby Mann que
escreveu de sua própria peça.
No discurso final do advogado de defesa, ele
atribui também culpa pelo Holocausto promovido
pelo governo alemão a Rússia, ao Vaticano, a
Winston Churchill e aos industriais americanos,
todos que de alguma forma contribuíram ou não
impediram que a situação se agravasse. O que
merece ser refletido, afinal o mundo conheceu um
louco chamado Adolf Hitler, mas que foi auxiliado
por alguns outros e, o mais grave, por outros que
esperavam lucrar com a situação sem pensar nas
atrocidades que seriam cometidas. Portanto, o
filme de Stanley Kramer é um recado para a
humanidade evitar novos conflitos mundiais, ainda
mais iminentes na atual situação econômica, política
e social que o planeta atravessa, onde centenas de
milhões de pessoas vivem sem nada, enquanto uma
minoria detém toda a riqueza do planeta. E,
naquela época, os recursos naturais não estavam
tão escassos quanto nos dias atuais, o que ainda
pode ser mais um agravante para o novo milênio
que se inicia. Vale pensar. (Fonte:cinemaemcena) |