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Além do Arco-íris

Conto romântico

                                     Oriza Martins

Primeira parte

Segunda parte

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Além do Arco-íris

 

– conto romântico – primeira parte –

 

Oriza Martins

 

 

            Na década de trinta, a cidade de São Paulo despontava no cenário mundial com todo seu potencial de importante metrópole.

            Era uma época de grandes transformações, alteração dos costumes, efervescência literária e musical com o sucesso do rádio popularizando ritmos nacionais.

Álvaro de Souza Freire, um jovem herdeiro de tradicional família paulistana, aficionado por leitura, costumeiramente visitava as livrarias do centro da cidade.

Em uma das visitas ao bairro da Mooca, onde ficava instalada a sede das indústrias de sua família, o rapaz deparou com uma pequena - porém bem equipada - livraria de bairro.

            Entrou no estabelecimento e estava a analisar os títulos expostos, quando percebeu em um dos cantos a presença de uma jovem de singular beleza, aparentemente arrumando os livros. Presumiu que se tratava de uma das vendedoras.

             Adquiriu uma obra após algum tempo de consulta, mas demorou-se um pouco na livraria, magnetizado pela presença da jovem, embora o dissimulasse muito bem.

            Álvaro era um rapaz aparentemente sisudo, tido como pessoa orgulhosa, mas polido, cortês e bem-humorado no trato social. Havia freqüentado a famosa Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, assumindo parte dos negócios da família, após a formatura.

             Finalmente, acabou por retirar-se do estabelecimento, mas levou no pensamento a figura da jovem balconista, de nome Carol.

             Impressionado pela beleza e postura educada de Carol, Álvaro tornou-se cliente assíduo da livraria, logo mantendo com ela uma respeitosa amizade, mas no fundo sentindo-se completamente apaixonado pela jovem. Muitas vezes, entretanto, não a encontrava no estabelecimento, mas não se sentia à vontade para perguntar sobre seu paradeiro.

            - Deve estar fazendo serviços externos – pensava ele.

            Álvaro trazia o coração inundado por aquele sentimento arrebatador, mas relutava em assumi-lo, considerando a diferença social entre ambos. Várias vezes ele tentara deixar de freqüentar a livraria, mas acabava cedendo ao desejo de vê-la. Sabia que teria de enfrentar uma forte oposição familiar, se um romance entre ambos porventura se concretizasse.

            Ambos mantinham freqüentes diálogos sobre obras de prosa e verso.

            - Diz este poema que felicidade é um pote de ouro que se encontra além do arco-íris, que é impossível alcançá-la - comentou Carol, certo dia.

            - A felicidade está onde nós a pomos... - rebateu Álvaro, mencionando os famosos versos de Vicente de Carvalho

            - E nunca a pomos onde nós estamos... - completou Carol, sorridente. - Às vezes a colocamos tão longe que é difícil alcançá-la.

            - Então não é boa idéia colocarmos a felicidade além do arco-íris... - concluiu Álvaro, denotando uma ponta de tristeza nessa reflexão, comparando-a com sua situação em relação a Carol.

            A jovem balconista já conhecia o rapaz por nome antes mesmo de ele entrar na livraria, pois as indústrias de sua família dominavam grande parte do bairro. Conhecendo-o pessoalmente, passou a sentir-se também atraída por ele, embora lamentasse sua postura apenas cortês, mas tinha consciência de que se tratava de integrante de um estrato social onde os casamentos freqüentemente atendiam a interesses socioeconômicos.

            Assim, Carol seguia sua vida, sufocando os sentimentos, sem maiores expectativas quanto ao novo e poderoso amigo.

 

***

 

            No início da primavera, Álvaro foi convidado por integrantes de uma família amiga para conhecer o novo solar que eles haviam adquirido em uma praia do litoral paulista.

             Acedendo ao convite, o rapaz seguiu de carro para lá, onde se encontrou com seus amigos Mariano, a irmã deste, Rita, e um casal de primos deles: Lucinda e Francisco. Ao grupo, deveriam juntar-se no dia seguinte o outro irmão, Nestor, um jovem aficionado por música, e sua avó, Dona Ana.

 

            O imponente solar encontrava-se em uma das praias de Ponta de Sapucaias, local de exuberante paisagem que se tornaraa freqüentado pelas altas rodas sociais desde o início do século, com a presença também de algumas pousadas e pensões, ao lado de uma bucólica aldeia de pescadores.

             Coincidentemente uma dessas pousadas pertencia aos pais de Amelinha, grande amiga de Carol - que costumava visitá-la com intenso prazer, quando tinham oportunidades de trocar confidências.

            O destino fatalmente levaria os jovens apaixonados a se reencontrar ali - pela primeira vez distante da livraria.

            Anexo à pousada, havia um bar com espaços especiais reservados aos freqüentadores e suas famílias.

            Álvaro, seus amigos Mariano e Rita e os primos destes, Lucinda e Francisco, chegaram numa manhã conversando ruidosamente e solicitaram um reservado para se servirem.

             Naquele momento, a jovem Carol encontrava-se no estabelecimento e reconheceu a voz de Álvaro, procurando saber onde ele se encontrava, com a intenção de cumprimentá-lo, e percebeu que apenas um biombo os separava.

 

             Tentando arrumar-se rapidamente, Carol permaneceu por trás do biombo, enquanto ouvia a conversa dos jovens.

            - O Nestor vai chegar daqui a pouco com a vovó - disse uma voz feminina, a de Rita, irmã de Mariano e Nestor. - E ele vai se encontrar com a Tininha amanhã, com certeza. Vão se encontrar de novo para tocar e cantar.

            - Tininha? Quem é a Tininha? - perguntou Lucinda, a prima, uma jovem aristocrata de modos afetados.

            - É uma moça aqui da aldeia. Eles se conheceram e costumam tocar violão juntos.

            - Violão?! Uma mulher tocando violão? Que vulgaridade... - comentou Lucinda, sarcástica. - E o Nestor tem algum interesse por ela?

             - Ela toca piano também - disse Mariano. – Mas não acredito que o Nestor esteja especialmente interessado nela. Se estivesse, ele teria de enfrentar nossos pais. A moça, essa Tininha, não deve ser grande coisa... ao que tudo indica, ela vem de uma família desestruturada. Soubemos que a mãe dela foi um péssimo exemplo; promíscua, para se dizer o mínimo. Alcoólatra, abandonou o pai da menina por um artista circense. Depois retornou a casa, mas foi repudiada e ficou perambulando por aí. Acabou morrendo em um acidente com o cavalo, após galopar bêbada. Dizem que foi arrastada pelo cavalo por vários quilômetros da estrada. O pai, desgostoso, faleceu pouco tempo depois. A Tininha foi então adotada pelos tios, que mantêm uma chácara aqui nos arredores da vila.

 

            - Isso é o que se chama falta de berço - disse Lucinda, gargalhando.

            O primo Francisco, irmão de Lucinda, permanecia calado e balançando a cabeça, com ar de reprovação sobre o comentário da irmã. Rita também parecia não compactuar com a opinião da prima.

 

            - Pois é... e se a promiscuidade for uma condição hereditária, pobre do infeliz que  se casar ela - completou Mariano, num tom irônico. - Você não concorda, Álvaro?

            - É... de fato...  - disse Álvaro, esforçando-se por manifestar algum toque de humor.

             Mariano continuou, irônico:

            - Não diz o ditado que tal mãe, tal filha? Se ela herdou os dotes da falecida...

            - Ah! Ah! E quem iria querer uma nora assim? - completou Lucinda.

 

            Por trás do biombo, Carol sentiu-se indignada e decepcionada por presenciar tanto desprezo pela condição da jovem Tininha e por ouvir de Álvaro que concordava com uma declaração tão carregada de sarcasmo e preconceito. Ele, que sempre lhe parecera tão correto e gentil na livraria, agora mostrava-se muito diferente junto a amigos tão insensíveis.

 

            - Quanto desrespeito à dor alheia, falta de consideração a uma tragédia familiar - pensou a jovem, decidindo-se por não mais se apresentar diante deles nem cumprimentar Álvaro.

 

            - Mas acho que seus interesses são apenas musicais, mesmo - disse Rita. - A Tininha, ao que parece, tem contato direto com o misterioso compositor J Lorca, lá de São Paulo e consegue partituras dele em primeira mão para o Nestor.

            - Ah, sei... o compositor J. Lorca. Dizem que é um verdadeiro Matusalém, vive recluso, não se apresenta em lugar nenhum - falou Lucinda.

            - Mas compõe músicas excelentes. As partituras são publicadas pelo tio da Tininha, daí a facilidade em consegui-las - disse Rita.

            - O tio dela é editor? - perguntou Álvaro, curioso, uma vez que conhecia praticamente todos os editores da capital.

            Antes que obtivesse alguma resposta, chegou o motorista designado para levar os irmãos e a prima deles ao cais onde recepcionariam Nestor e a avó.

            Álvaro, entretanto, havia planejado passar a tarde na aldeia e por ali ficou.

            - Não quer mesmo vir com a gente? - insistiu Rita.

            - Não - respondeu Álvaro. - Quero aproveitar a paisagem, esse mar fantástico, o maior tempo possível. À tarde, estarei com vocês de volta, lá no solar.

            - Bem... nós temos que ir buscar o Nestor e a vovó, então, até logo.

 

***

             Álvaro saiu a pé para apreciar a paisagem de Pontas de Sapucaias. Retirou os sapatos e pôs-se a caminhar pela areia da praia com a aragem atlântica a lhe refrescar o rosto. Após algum tempo, ao enveredar pela ponta da praia, onde vários rochedos salpicavam entre as ondas, percebeu uma figura feminina que lhe parecia familiar, sobre uma das enormes pedras, com ar absorto e pensativo.

            - Carol! – gritou ele, surpreso.

            A jovem voltou-se e olhou em sua direção.

            - Carol, você por aqui? – perguntou ele, agitado, correndo ao encontro dela.

            Carol desceu da rocha e o cumprimentou polidamente. Álvaro não disfarçava a alegria por encontrá-la ali, linda, cabelos desalinhados, soltos ao vento. Ela explicou-lhe que costumava visitar a pousada dos pais de Amelinha. Álvaro também revelou onde se hospedava, falou do solar e de seus amigos, efusivamente. Carol ouvia-o com uma atitude reservada, o que de certa forma o intrigava, pois estava acostumado com suas conversas animadas, na livraria. Mas ela se sentia pouco à vontade, após ter ouvido os desrespeitosos comentários dele e seus amigos acerca da tragédia familiar da referida jovem Tininha.

           

            À medida que caminhavam juntos, Álvaro sentia crescer em seu íntimo o desejo de se declarar a Carol, não obstante a postura da jovem. Por fim, dominado pela ansiedade, colocou-se frente a ela, fitando-a profundamente.

            - Eu ansiava por uma oportunidade como esta. Não suporto mais, preciso abrir meu coração.

            - O que você quer dizer? – indagou Carol.

            - Que eu amo você. Quero ficar com você pelo resto de minha vida.

            - Você está me pedindo em casamento? – perguntou ela, com um toque de ironia.

            - Sim. Estou.

            - Você deve estar realmente muito apaixonado, para se declarar e me pedir em casamento, assim, de repente, pulando etapas... não está me pedindo em namoro... nem em noivado... - falou a jovem. - Não seria apenas por influência da paisagem?

            - O que eu sinto por você é definitivo - respondeu ele, sério. -  Estou certo disso. Estou completamente apaixonado. Penso em você dia e noite, é uma tortura. Encontrar você aqui foi um presente do destino para mim. Quero passar o resto de minha vida com você.

            - E quanto às evidentes diferenças sociais entre nossas famílias? Isso não conta?

            - Deveria contar, reconheço, mas... meu sentimento por você é mais forte. Estar com você aqui, em outro ambiente, fora da livraria... me fez concluir de uma vez por todas que eu a quero para ficar comigo. Vamos superar essas diferenças todas com o tempo, tenho certeza.

            - Ah... sei... superar... - balbuciou a jovem, virando-se de lado e fitando o infinito azul do mar. - Será que existem superações para mentes preconceituosas? - pensou, lembrando-se da conversa dele com os amigos. De repente, voltou-se e perguntou, resoluta:

            - E se eu lhe dissesse que tenho uma condição para aceitar seu pedido?

            - Pode pedir o que desejar - respondeu ele.

            - É que... minha família vem passando por dificuldades financeiras - disse ela, num tom lamentoso. - Você poderia dispor de uma forma, digamos, de ajudar...

            Álvaro engoliu em seco, tomado por certa surpresa, sentindo-se algo confuso e um pouco decepcionado com a proposta.

            - Bem... ahn...si..sim...sim, sim, claro. Tudo bem. Estou disposto a ajudar sua família, sem dúvida. Se for esse seu desejo, pode contar comigo.

            Carol suspirou e sorriu.

            - Não é verdade - completou a jovem. - Minha família tem poucos recursos, mas não está passando por dificuldades, não.

            Ele a olhou sério:

            - Você está brincando comigo?

            Ela apenas sorriu. Álvaro continuou:

            - Eu estou falando sério. De minha parte não se trata de brincadeira. Minha proposta é real e sincera. Quero me casar com você.

            - Agradeço sua sinceridade e seu sentimento, mas... sinto muito... não posso... é impossível...

            - Impossível, por que, posso saber? Estou lhe confessando meu amor...estou me abrindo com você, desnudando minha alma, meu coração... será que não sou correspondido? Não sente nada por mim?

             Passaram-se alguns momentos de silêncio. Por fim, Carol o fitou profundamente, unindo as mãos, recostando-as sobre o coração, como se sentisse uma dor no peito e, parecendo tomada por um transe, paulatinamente, iniciou um monólogo arrebatador:

            - Se eu não sinto?... Se você quer saber mesmo a verdade... esta é a hora da verdade... Sim. Eu sinto, sinto, sim, algo por você, muito, muito forte. Não sei se é amor, paixão, loucura... não sei definir... é algo que me incendeia, que invadiu minha vida, meus dias e noites... acordo pela madrugada, transpirando, ofegante, perco o sono, pensando em você... é um sofrimento...

            À medida que ouvia essas mágicas palavras, sentindo-se em um sonho, Álvaro foi-se aproximando dela, tomando-lhe as mãos que estavam sobre o peito, sentindo os próprios olhos marejar de emoção. A surpresa que ele sentira com a primeira reação de Carol foi-se transformando em uma surpresa ainda maior, e dessa vez maravilhosa, diante daquela declaração apaixonada, inesperada. Suas mãos - que tremiam segurando as dela - foram-se aos poucos soltando-se e envolvendo-a em um abraço sincero, terno de início, mas intenso, determinado, apaixonado, por fim, com seus lábios buscando os dela num beijo ávido, que lhe interrompeu o delicioso monólogo... e suspirando, ele continuou apertando-se contra si, beijando-lhe a face, sentindo o aroma de seus cabelos, entregando-se completamente à magia daqueles momentos...

            Tão arrebatado encontrava-se ele, apertando-a contra si, que não percebeu que, após o beijo, Carol tentava com força soltar-se de seu abraço:

            - Não... não... eu não posso... - balbuciava ela, como se estivesse voltando à realidade após aqueles momentos de sonho.

            - Não pode? - indagou ele, soltando-a um pouco. - Não pode? Se acaba de me declarar um sentimento que parece tão profundo, tão emocionante... como não pode? O que você quer dizer?

            - Não posso - confirmou ela, séria. - Reconheço que meu sentimento por você é forte, é dramático até... e estou me sentindo liberta por havê-lo confessado. Não me envergonho de senti-lo. Estava como que preso em minha garganta... mas eu tenho que ser mais forte que esse sentimento - completou ela, afastando-se dele.

 

            Carol desprendeu-se de vez de seus braços e correu pela praia, ofegante, dividida entre a emoção e a decepção... e logo desapareceu das vistas de Álvaro.

            Atônito, ele a olhava, sem compreender, com a cabeça girando em turbilhão. Restou-lhe apenas conformar-se e dirigir-se ao solar, com a esperança de revê-la nos dias seguintes, pois um local pequeno como aquele certamente iria facilitar-lhes o encontro.

 

* * *

 

            Desde essa noite e pela manhã seguinte, quando ruidosamente os jovens planejavam as atividades do dia, perceberam uma certa quietude em Álvaro e brincavam com as várias possíveis causas de sua suposta tristeza, alegando, inclusive, que ele devia ter conhecido alguma beleza nativa na tarde anterior e se apaixonado.

            Após o café da manhã, o rapaz resolveu ir até a aldeia numa tentativa de reencontrar Carol. Procurou-a na pousada, mas não a localizou. Caminhou pelos arredores, em vão. Retornou ao solar, cansado e desanimado, quando já estava sendo servido o almoço.

À mesa, Nestor, o jovem que chegara no dia anterior, avisou a todos que reunir-se-ia à tarde, no solar, com um grupo de amigos para um sarau de música brasileira.

            - Estão todos convidados – disse Nestor.

            - E é claro que a Tininha vai participar com seu violão, não é? - perguntou Mariano, com um ar malicioso, piscando os olhos para os amigos.

            Houve alguns sorrisos, mas desta feita Álvaro não participou da brincadeira, mantendo-se sério. Já se sentia incomodado ao se lembrar da maneira pouco cortês com que os amigos falaram da jovem Tininha e de sua desgraça familiar no dia anterior, arrependido por haver aderido ao tom da conversa.

            - É engraçado...  prosseguiu Mariano, sarcástico. – essa Tininha costuma trazer as partituras do misterioso compositor J.Lorca, mas ele nunca aparece... por que será? Não seria algum secreto caso dela?

            Nestor rebateu, indignado:

            - Como você pode inferir um coisa destas? Você nem a conhece direito para insinuar algo desse tipo!

            - Bem... é que essas moças que costumam se dedicar à música, a tocar com homens, são, geralmente, um tanto liberadas... até mesmo libertinas... e veja, essa Tininha tem a quem puxar.

            Nestor fulminou o irmão com o olhar e retirou-se da mesa.

            Mariano continuou com o sorriso sarcástico, causando um mal-estar geral no ambiente.

            Álvaro, absorto com a lembrança de Carol, pouca atenção deu à cena.Terminado o almoço, recolheu-se a seu quarto e deitou-se, remoendo as cenas da praia, o beijo, a vã procura por ela... por fim, entregou-se ao cansaço e adormeceu.

             Algumas horas depois, despertou, ouvindo um som melodioso que ecoava do salão de festas no andar inferior do solar. A música era extremamente agradável, trazendo-lhe um pouco mais de ânimo. O sarau tivera início e percebia-se que vários instrumentos estavam sendo tocados.

            - Nestor deve ter formado um belo conjunto musical – pensou ele, enquanto se banhava.

              Quando Álvaro desceu a escadaria que levava ao salão, o conjunto já executava outra música, ao solo de piano. Álvaro reconheceu as notas de “Lua Branca”, de Chiquinha Gonzaga, e parou por alguns momentos na escada, fechando os olhos para apreciar a beleza envolvente da melodia cujo som aumentava à medida que ele se aproximava.

           

            O salão do solar encontrava-se praticamente repleto de pessoas, a maioria das quais Álvaro desconhecia, e todas apreciavam com interesse a performance do conjunto, que incluía bandolim, cavaquinho, violões e instrumentos de percussão.  O rapaz percebeu que o solo de piano era executado por uma jovem que se encontrava de costas para ele, e imediatamente veio-lhe à mente:

            - Deve ser ela a Tininha de que tanto falam...

 

             Repentinamente, nem bem terminava de processar tal pensamento, Álvaro estancou, perplexo, ao reconhecer a jovem ao piano, vendo que era nada mais nada menos que sua amada Carol. Confuso, sentindo o sangue acelerar nas veias, ele permaneceu fitando-a, incrédulo, pressupondo a poderosa verdade: Carol... Tininha... seriam a mesma pessoa?

Final da primeira parte    - Leia aqui a > Segunda parte <

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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